Crônicas

Pontas Soltas: Destinos ocultos aos nossos olhos

Olá Azeroth!

Finalmente traremos questionamentos sobre as pontas soltas no enredo do World of Warcraft. Traremos pontualmente alguns personagens que estão sendo deliberadamente negligenciados pela Blizzard®, de modo que cada um deles pode acender o estopim para as próximas expansões do jogo.

Primeiramente quero destacar que em recentes entrevistas, a Blizzard® deu a entender que os próximos passos do jogo ocorrerão em Azeroth, porém eles falam com muita insistência em explorar a cosmologia do jogo. Diante desse cenário, podemos entender que eventualmente novas forças cósmicas podem chegar em Azeroth.

Tentarei fugir ao máximo de spoilers, porém em algum momento pode haver algum. Cabe, no entanto, esclarecer que os temas aqui são eminentemente especulativos e/ou baseados em conteúdos disponíveis nos livros sobre o jogo ou nos contos que estão no site da Blizzard®.

Vamos começar falando do pacto entre Sylvana e a Helya. Durante a campanha de Trommhein, ainda em Legion, vimos as duas selando um pacto em Hellheim. Após isso, Sylvana tenta controlar Eyir, mas é impedida por Genn Greymane, que acaba quebrando um artefato que parece ter vindo das Terras Sombrias e certamente foi dado à ela pela Helya. Sendo assim, o que Sylvana deu em troca?

É bom lembrar que as duas não se falaram durante Shadowlands inteiro e não se sabe nada da Helya em Shadowlands, exceto pelo diálogo do Mueh’Zala com Bwomsandi, no qual ficamos sabendo que foi Mueh’Zala que negociou o olho de Odyn, quem apresentou a Helya ao Carcereiro e que ele sussurrou o nome da Sylvana no ouvido do Vol’jin no seu leito de morte.

Falando em Mueh’Zala, não se sabe seu destino. Na campanha de Ardena, o mesmo é aprisionado por Bwomsandi e seu destino não é revelado, assim como o do Loa da Morte, que provavelmente terá alguma relevância no futuro, dado ao sucesso que obteve em BfA.

Também temos Turalyon que certamente desempenhará algo relevante no futuro próximo. Após “tomar” o trono de Ventobravo na ausência de Anduin Wrynn (se colocou a frente do trono em relação ao Genn Greymane, com o apoio dos nobres de Ventobravo), sua posição se encaixa perfeitamente em alguns dos sussurros do Il’gynoth, que falam que o Dourado reclamará um trono vazio e que sua coroa somente trará trevas.

A dualidade de Turalyon e sua esposa Alleria é um estopim prestes a explodir desde Legion. Ela está sob influência do Andarilho Imaterial, um etéreo que vem ensinando-a a usar o poder do Caos. Esse ensinamento é extremamente controverso, tendo em vista suas ações no Shadows Rising, onde ela tortura interrogados com esse poder e não se sabe quase nada sobre esse seu mentor.

O próprio Anduin Wrynn, que deve retornar de Shadowlands ainda contaminado de alguma forma com energias do Caos, conforme vimos no fim do livro Shadows Rising. O rei Leão enfrentará, de um lado Turalyon sob a influência da Luz e Alleria, sob influência do Andarilho Imaterial. O casal já não goza da confiança de outros líderes da Aliança, como Jaina Proudmore, Genn Greyamne e Matthias Shaw.

Quem pode cair de paraquedas no meio dessa confusão é o próprio Wrathion. Sua amizade com Anduin Wrynn eventualmente pode fazê-lo sentir de alguma forma essa influência do caos sobre ele e querer agir para evitar que o mesmo venha a sucumbir.

Para ajudar, ainda tem a Irmandade Escarlate, que planeja a morte de Anduin Wrynn e o renascimento do reino de Lordaeron desde BfA, se utilizando inclusive de um suposto herdeiro do trono vago de Lordaeron, o filho desaparecido de Calia Menethil.

Aliás, o Exército da Luz ainda tem a Yrel vagando pela Grande Treva Infinita com seu exército de Luminíferos, espalhando sua doutrina fundamentalista. Com a influência de Turalyon, ela certamente teria as portas abertas em Ventobravo, o que pode causar um enorme conflito em Azeroth.

Diante de tantos indicadores, é tentador pensar que uma expansão sobre um conflito entre o caos e a luz estaria próxima. No entanto, esse é um tema muito focado em personagens essencialmente da Aliança, o que obrigaria a Blizzard® a criar algum fato inusitado para colocar a Horda dentro desse contexto. O caminho mais curto para isso seria mexer com Luaprata e com as ruínas de Lordaeron, fazendo com que alguma dessas forças atacasse o território dos Elfos Sangrentos, mas isso me parece um pouco insólito demais.

Apesar de tudo isso, não podemos nos esquecer da maga mais poderosa de Azeroth, que está à solta desde a queda de Ny’alotha. A Rainha Azshara foi libertada na raide, e saiu dizendo que estaria à busca de um poder definitivo e que conhecia os planos de Sylvanas. Ela pode ser um pilar de conexão dentro dessa disputa cósmica, ressurgindo dos mares com suas Nagas e com uma história gigantesca por trás. Ela é mais um desses personagens que estão pairando no enredo, prontos para reassumir seu protagonismo.

Falando em magos poderosos, não podemos nos esquecer de Hadggar. Ele se afastou do cenário no começo de BfA porque decidiu não participar da Quarta Guerra. Existem rumores de que ele apareceu em Oribos logo no começo de Shadowlands como O Corvo Vigilante, mas se houve algum planejamento para retorno dele dentro dessa expansão, esse conteúdo foi cortado.

Tendo em vista que não há até o momento, mesmo com os data-mining do patch 9.2, nenhuma referência adicional a ele. Ele é um dos personagens mais icônicos do jogo e nesse momento turbulento de saída das Terras Sombrias, sua presença pode ser muito importante, inclusive para o equilíbrio entre as facções.

Enfim, estamos nos aproximando do fim de Shadowlands e saindo da expansão com mais perguntas do que respostas. Com tantas reviravoltas, promessas não cumpridas, atrasos, problemas operacionais da Blizzard® e escândalos inimagináveis e deploráveis envolvendo a empresa, vemos um conteúdo que tinha um potencial enorme ser extremamente mal executado e narrado, a ponto de chegarmos no último patch sem saber ao certo sequer o plano do principal antagonista da expansão é que o Zovaal.

Pra começar, nem o conteúdo das animações “Pós-vidas” que foram lançadas como trailers da expansão foi devidamente contextualizado. A animação do Bastião fala muito do Arthas, que é sem dúvida o vilão mais amado/odiado do jogo. Ele aparentemente somente terá uma aparição discreta na última raide, durante uma das lutas, sem que os jogadores possam interagir com o personagem ou realmente lhe permitir um julgamento justo, visto que o mesmo foi atirado na Gorja pelo Uther sem passar pela Juíza. Esperamos tanto por um reencontro que será somente de passagem, se houver de fato.

A animação de Maldraxxus mostra claramente incursões do exército Maldraxxi em algum mundo da Legião, mas isso foi completamente esquecido durante a expansão. Como as forças da Morte fizeram ircursões fora das Terras Sombridas? Talvez nunca saberemos.

Os personagens relevantes de Ardena que tiveram mais sorte que o Ursoc também não apareceram. A aparição do Garrosh, a qual gerou uma enorme expectativa foi no mínimo, enfadonha, tendo condenado um dos maiores orcs da história do jogo a um final patético.

Também temos a história de Sir Denathrius. De repente, ficamos sabendo que os Nathrezim, que eram agentes da Legião, são na verdade crias de Revendreth e que eles se infiltraram em todas as forças cosmológicas e que eles estão sob comando de Zovaal e Denathrius.

No fim da primeira raide, Castelo de Nathria, a essência de Sir Denathrius é aprisionada em Remornia, sua espada. Durante a incursão no Sacrário da Dominação, os Nathrezim conseguem arquitetar um plano para resgatá-lo. Agora seu paradeiro é desconhecido e a Blizzard® já disse que o sucesso do personagem lhe conferiu a chance de ter um papel mais adiante na história, no entanto, nenhuma indicação de qual será esse papel até o momento foi dada.

Temos também a ligação da Rainha Invernal com Eluna. Tivemos a confirmação de que elas são irmãs. Mas como uma Eterna, integrante do Panteão da Morte é irmã de uma deusa cultuada por muitos mundos? Como é essa relação? Quem são seus pais? Os Primogênitos criaram outros panteões? Como elas rompem o véu que separa a vida da morte para terem contato?

Aliás, o véu que separa a vida da morte é algo que ficou claro que é frágil. Houve incursão da Luz sobre Revendreth em uma retaliação a infiltração dos Nathrezim. Como eles fizeram isso? Quando? No Bastião houve também um ataque de forças do Caos. Quando? Por quê? Nada disso foi explicado.

Terminando a expansão, o que será das almas que foram indevidamente atiradas na Gorja? Ficarão lá e azar delas? Estatística de guerra? Não haverá uma reordenação das almas? Porque fica claro que, dado aos cortes de conteúdo, deixamos de conhecer outros reinos da Morte.

Em Shadows Rising, a experiência de quase morte do Zekhan revela um encontro com Saurfang em um reino completamente incompatível com os reinos que nos foram mostrados. Se a alma do Saurfang está num lugar diferente, por que só a dele?

O reino dos drustos também ficou só na especulação. Gorak Tul foi introduzido em BfA como um antagonista interessante, seus seguidores foram inseridos em Ardena no começo da expansão e tudo indicava que nós encontraríamos eles em algum lugar. Não aconteceu.

Ainda, depois de tantos anos, temos a espada de Sargeras enfiada em Silithus. Aquilo ficará lá para sempre? Existem indicativos entre uma relação entre Azeroth e Zereth Mortis que surgiram no data-mining do patch 9.2, no entanto, essa ferida em Azeroth permanece aberta.

Aliás, onde a Blizzard® quer chegar com Azeroth? Primeiro, era apenas um planeta, depois esse planeta tinha uma alma titânica, em BfA ficamos sabendo que é uma alma-mundo. Agora cogita-se que Azeroth não seja um titã, mas algo diferente. O mesmo tem sido feito com Argus, o Descriador.

Primeiro, ele era apenas a terra natal dos Eredar, virou quartel-general da Legião, depois nasceu como titã da morte e agora as especulações de que sua queda tenha desativado a Juíza sem intensificam, não sendo ele um titã, mas algo diferente. Argus e Azeroth são seres parecidos? Serão eles Primogênitos? 

Não posso terminar isso sem falar da Sylvana. A General Patrulheira de Quel’Thalas, a Rainha Banshee, a Dama Sombria ou a açougueira de Teldrassil? Afinal, depois de tantos anos, quem é Sylvana Correventos? Esteve ela sob a influência ou dominação do Carcereiro desde que foi apunhalada pelo Gélido Lamento? Até onde vai essa influência? Ela merece ser redimida de seus crimes? 

Uma coisa parece certa, ela dificilmente encontrará felicidade em seu caminho. Nem seu amor irresponsável da época de General Patrulheira, Nathanos Marris deve lhe fazer companhia. Ele foi morto por Tyrande no patch pré-Shadowlands e o Carcereiro escondeu sua alma. Onde? Ele aparecerá para fazer companhia para sua amada? Eu duvido um pouco que eles tenham um final juntos.

Impossível terminar de falar na Sylvanas sem lembrar de Gallywix, o Príncipe Mercador. Leal à causa de Sylvanas, no fim de BfA ele desapareceu de cena e seu paradeiro atual é completamente desconhecido. Está vivo? Está em Shadowlands? Ele voltará para reclamar seu trono? Hoje o Gasganete ocupa seu lugar perante os goblins e a impressão é que ninguém sente sua falta. Isso o credencia a futuro vilão?

Mas uma coisa me parece certa. Sylvanas sairá de cena por um tempo. Ela é um personagem que foi desgastado ao extremo pela Blizzard e merece um período de ostracismo, como muitos outros tiveram.

Outra personagem que simplesmente saiu de cena no final de Shadowlands foi a Ve’nari. Passamos praticamente a expansão toda fazendo missões e obtendo reputação com ela. Para nada. Ela simplesmente não aparece em Zereth Mortis e em nenhum conteúdo data-minado do patch 9.2. Não somente ela, mas a história dos corretores de Oribos em geral foi apenas superficialmente abordada. Vamos terminar Shadowlands sem sequer saber quem é de fato o seu líder.

Ficou longo, mas espero ter abordado todos os temas instigantes e em breve trago mais!

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